sábado, 24 de abril de 2010

No Haiti pela segunda vez

Eu estava na primeira equipe de Jocum Brasil no Haiti (de 27 de janeiro a 16 de fevereiro).  Agora Deus me deu uma nova oportunidade de estar aqui, com essa gente linda que eu tanto amo!  Cheguei dia 20/04 e estou viajando com um grupo de pastores, medicos, missionarios e equipe de midia.  Esse grupo tem contato com um pastor haitiano que esta cuidando de 30 outros pastores e suas respectivas igrejas.  Junto com essa equipe, temos dado atendimento medico e cuidados pastorais a esses 30 pastores, alem de algumas igrejas locais, em acampamentos de tendas. 

Estamos hospedados na casa desse pastor haitiano na regiao de Delmas, e nao tenho palavras pra descrever a hospitalidade que esse povo tem demonstrado.  Eles sao uns amores, e demonstram o amor de Deus de forma espetacular, alem de terem paixao por ver esta nacao transformada!

Antes de vir, eu estava muito curiosa para vero que esta igual e o que mudou por aqui.  As pessoas continuam morando nos acampamentos, mas muitos ja tem banheiros quimicos, o que antes nao havia.  Tambem muitas barracas improvisadas de lona foram substituidas por barracas melhores.  As chuvas com certeza passaram por aqui, e tem alguns lugares com muito barro, alem da proliferacao de mosquitos (e respectivas doencas...)  Malaria, dengue tem sido um grande problema por aqui, alem de escabiose.

Alguns aspectos da "vida normal" ja voltaram.  Pra comecar, podemos aterrisar no aeroporto de Porto Principe, e recebi um carimbo oficial da imigracao!!!  Algo q nao aconteceu da outra vez.  O comercio (maioria informal, mas algumas lojas "normais") ja esta fluindo bem; as escolas primarias e secundarias ja voltaram a funcionar.  Algumas escolas vao comecar as aulas semana que vem.  Varias pessoas voltaram a trabalhar e pude notar a ausencia de tantas tropas e voluntarios estrangeiros que havia antes.  As necessidades basicas de agua, comida, remedio e amor continuam por todo o lado.

Uma grande emocao foi voltar ao posto policial em frente ao Palacio Nacional, onde ficamos na 1a viagem.  Pude rever muitos de nossos amigos dominicanos, gente muito forte, trabalhadores pelo Reino e generosos, que estao aqui desde o 2o dia apos o terremoto.  Admiro muito a garra deles e persistencia de continuar aqui por tanto tempo.

 E claro que a maior emocao de todas foi ver as criancas a quem ministramos por tanto tempo!  Tive que me segurar pra nao chorar, pois nunca imaginei que um dia fosse ve-los de novo!  Eles parecem estar bem, apesar das circunstancias.  Fiquei muito feliz em ve-los.

Vou ficar aqui ate 3a feira, e espero rever varias outras pessoas e ajudar a equipe no que for preciso.
O calor esta' muito forte. 
Por favor, continuem a orar por todos os que estao aqui, e principalmente pela transformacao desta nacao.

Com amor,
Mimi Chaves.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

quarta-feira, 3 de março de 2010

Mudanca de nome - JOCUM Brasil no Haiti


Atenção, amanhã, dia 4 de março, o Blog vai mudar de nome. 

Port Au Prince 3 de Marco de 2010 - Ricardo

Hoje fomos para a Base Militar do Brasil no Haiti.
Amanha vamosretornar a comunidade do Hotel em que estivemos na 2a feira para fazer mais atendimentos clinicos. Estávamos um pouco frustrados porque não tinhamos conseguido nenhum remédio a mais para levar conosco. Os que levamos na 2a feira eram os que trouxemos do brasil e estavam acabando.

Chegando no portão dos acampamentos militares, encontramos soldados nepaleses. Assim que os vi, saudei-os com "Namastê!!!"Eles sorriram prá nós e entramos até a entrada da base do Brasil.
No portão da base do Brasil, Wesley (que já serviu o exército) conversou com o sargento da portaria e explicou a situação e a necessidade de remédios que precisávamos para atender a comunidade.
Este sargento foi muito solícito e nos mandou conversar com o Tenente Coronel Roberto, médico encarregado do atendimento médico. Ao chegarmos na sala dele, explicamos a situacao da comunidade (o Danilo escreveu sobre isso no post anterior) e ele disse que poderíamos conseguir os remédios, mas primeiro iríamos almoçar.
Depois do almoço, o Major Magno nos acompanhou até o depósito de remédios. O major Magno é da Escola PReparatória de Cadetes do Exército, em Campinas. Ele nos levou até o depósito e nos deu caixas e caixas de remédios do Brasil.
Alguns remédios, não estavam na nossa lista, mas ele sugeriu mesmo assim. Dos que ele tinha disponível, foi extremamente generoso para podermos ajudar a comunidade.
Ele inclusive nos disse "da próxima vez, venham com um caminhão maior, prá poder levar mais coisa". Ele anotou o nome da JOCUM de Port Au Prince e disse que se precisasse de mais, o nome ficaria no sistema e era só vir para buscar mais que eles nos ajudaríam.

Ficamos todos estarrecidos com a generosidade dos militares brasileiros. Inclusive a Kim, uma canadense que está aqui para coordenar as operacores da JOCUM.
Chegamos de volta ao orfanato com a van lotada de remédios e passamos a tarde toda separando os medicamentos para levarmos amanhã.

Uma parte da equipe foi fazer atividades com crianças num outro orfanato e voltaram bem contentes de terem podido estar lá. Este outro orfanato também está muito necessitado. Levamos um pouco de alimento para eles, mas a base de Port Au Prince quer continuar o trabalho e ajudar o quanto for necessário.

Agradecemos a Deus pela provisão. Hoje a noite, nossa casa está cheia de remédios, doados pelos brasileiros para o povo haitiano. Amanhã vamos levantar cedo para montar novamente a clínica na comunidade.
por favor orem por nós, alguns de nós estamos querendo ficar gripados (eu inclusive). Danilo, Emerson, Betinha e eu (ricardo) estamos começando a sentir cansaço.
Orem pela nossa viagem de amanhã e pelo atendimento médico que vai acontecer.

Um grande abraço a todos.
Obrigado Deus pela provisão.
Obrigado Tenente Coronel Roberto
Obrigado Major Magno
Obrigado Brasil, pela mão estendida.

ricardo

Port Au Prince 2 de Março de 2010, por Ricardo

Era uma casa, muito engraçada,
Não tinha teto, não tinha nada
Ninguém podia entrar nela não,
Porque na casa não tinha chão.
Ninguém podia dormir na rede,
Porque na casa não tinha parede.
Ninguém podia fazer pipi
Porque pinico não tinha ali.
Mas era feita com muito esmero
Na rua dos bobos numero zero.

Eu nunca tinha entendido essa música nos meus anos de escola.
Mas descobri que esta casa existe, fica aqui no Haiti. Na verdade, existem milhares de casas deste tipo por aqui.

Estivemos andando por uma comunidade aqui perto do orfanato e encontramos um acampamento cheio de tendas feitas de pau fincado no chão. As paredes são apenas tecidos amarrados nos paus e a mobília interna se resume a uns pedaços de papelão no chão.

Andando pela cidade, encontramos alguns pontos de venda desses paus para montar “paredes”.

Encontrei vários homens na comunidade que mostraram suas casas, eles estão morando com suas famílias e 4, 6, 8 filhos nessas tendas. Outro dia quando começou a chover, fiquei pensando nessa gente, dentro dessas “casas”. O pior aconteceu quando voltamos para o orfanato, algumas crianças pegavam em nossas mãos enquanto andávamos de volta para o orfanato. Quando chegamos na rua do orfanato, tivemos que dizer tchau, porque eles não podem chegar perto de onde estamos. O orfanato é protegido por guardas que usam metralhadoras calibre 12.

É muito triste ver a situação dessa gente toda, e não conseguir fazer nada por elas.

Conversei com algumas pessoas, para ver se conseguimos levar lonas para essas famílias, mas é difícil arruma, e entregar de forma ordenada.

Nesta mesma comunidade, quando uma das meninas da nossa equipe fazia uma brincadeira com elas, ela perguntou para as crianças qual era o sonho da vida delas. Uma menina respondeu: quero ser médica, outro menino respondeu: quero ser engenheiro. O terceiro menino respondeu: “meu sonho é ser branco!”

Na hora eu até achei engraçado... mas pensando refletindo na resposta dele, na verdade é muito triste. Este menino quer ser qualquer coisa menos um haitiano negro.

Os brancos tem ajuda, tem carros novos, aviões, água, comida, remédios, médicos, tudo que eles não tem. A conclusão dele é muito simples: ser banco é a melhor coisa que pode acontecer para ele. O sonho da vida dele é ser qualquer pessoa menos ele mesmo.

Ao ajudarmos, precisamos ter isso em mente. Neste momento, o país passa por um momento de tremenda comoção mundial. Tudo foi destruído. O governo foi destruído.

O Líder da JOCUM em Port Au Prince nos contava que aqui no Haiti a educação custa muito caro. Por isso, as famílias do interior vendem uma vaca, uma cabra, tudo o que possuem para que o filho mais velho possa estudar na universidade e melhorar a condição de vida de toda a família. Este filho vai estudar e será responsável por toda a sua família.

Quando aconteceu o terremoto e as universidades foram destruídas, matando a maioria dos estudantes, essas famílias do interior não perderam somente os seus filhos amados. Elas perderam seu futuro, sua oportunidade de melhorar sua condição de vida.

É neste contexto, que o povo haitiano está vivendo.

Apesar disso, o povo haitiano é EXTREMAMENTE alegre. Dá prá ver nos momentos de louvor. Eles cantam, pulam e dançam com muita liberdade. Acho que isso faz com que a vida para eles fique mais fácil de se levar diante dessa situação.

Hoje, tive a oportunidade de assistir o jogo do Brasil contra a Irlanda numa barraca dos policiais haitianos.

Por toda a cidade, vimos aglomerações em frente a televisões. E nesta barraca, acompanhei o segundo gol do Robinho diante da seleção da Irlanda. A vibração e a torcida deles, é tão intensa quanto a nossa.

Descobri então porque eles se identificam tanto com a gente. A paixão pela seleção brasileira de futebol.

A maior vantagem é que eles não são como os brasileiros, que se consideram mais entendidos do que o técnico.

Estou muito agradecido pela oportunidade de conhecer este país tão devastado, mas ao mesmo tempo tão cheio de esperança.

Ontem estivemos numa cidade a uns 100 km da capital. Montamos uma clínica móvel para a comunidade perto de um hotel, cuja dona nos solicitou que fossemos levando remédios e atividades esportivas.

Nunca veio nenhum médico naquela comunidade e ontem pudemos ajudá-los a receber uma pequena ajuda a eles.

Um de nossos membros da equipe, o Danilo, conheceu um menino haitiano que aprendeu a falar português com um soldado brasileiro carioca. Este soldado pagou a escola para ele. Ele fala com um pouco de sotaque carioca, mas se expressa muito bem. Danilo perguntou a ele qual era o sonho dele.

O menino então respondeu que o sonho da vida dele é ser o Presidente do Haiti. Ele tem 14 anos.

Este menino disse que quando for presidente, vai dar escolas de graça para todo mundo. Hoje é muito caro estudar no Haiti. Ele consegue ganhar a vida sendo tradutor para os estrangeiros que vem para cá.

Que diferença, o outro menino quer ser branco. Este aqui quer ser o presidente da Nação.

O Haiti tem esperança.

Precisamos investir em meninos como este, que vão trazer transformação a longo prazo, que vão dar a vida para que este país seja um lugar de justiça e liberdade.

Os diamantes do Haiti estão aqui. Deus já deu a eles a solução para os problemas. Nossa missão é encontrá-los e ajudar a lapidá-los.

Um abraço

Ricardo

terça-feira, 2 de março de 2010

Mudanca de nome - JOCUM Brasil no Haiti

Atencao,
O nosso blog vai mudar de nome.
A partir do dia 4 de março o nosso blog passará a se chamar

jocumbrasilnohaiti.blogspot.com

Abracos

Relatório 3 da Segunda Equipe no Haiti - por Danilo Angelo

Tivemos um culto abençoado no começo de noite deste domingo no Delma 6 que é um acampamento de 200 pessoas que perderam suas casas no terremoto. Este terreno fica do lado de uma casa onde morreram 9 pessoas, a única sobrevivente foi a viúva do dono do terreno e permitiu que o terreno fosse utilizado para fazer de acampamento para estas pessoas. Estivemos lá no início da semana passada abrindo latrinas, colocando tendas, atendimento na área da saúde, esportes com adolescentes e jovens e trabalhos com crianças. Foi lá que Deus preparou para nós. Fizemos um tempo de louvor e agradecimento a Deus, cantavam com toda alegria e dançavam com entusiasmo! Chegamos a presenciar desde crianças até idosos, todos dançando alegremente.
O Wellington trouxe uma palavra onde todos se identificaram, todos atentos e correspondendo com devoção de coração.  Ao findar da reunião, pediram para que todos os missionários brasileiros recebessem uma oração feita por eles. Nos reunimos no centro da roda e começamos a ouvir uma canção em criolo bem conhecida  de todos nós:   Então minh´alma canta a ti Senhor, Grandioso és Tu, grandioso és Tu.   Foi algo comovente, não conseguíamos nos conter de tanta emoção, logo mais fizeram uma oração, a oração do Pai nosso. Assim tivemos uma noite inspiradora na presença de Deus e na presença de uns dos outros.

Nesta segunda feira acordamos cedo, tomamos nosso café, alguns quase dormindo e outros quase acordados, enfim, fomos para uma cidade que fica no caminho de Porto Príncipe para Sant Marc. Há poucos dias conhecemos uma senhora que trabalhou mais de 20 anos nos Estados Unidos e voltou para sua terra natal; o Haiti.  Ela juntou todas as suas finanças e comprou um Hotel a beira mar, um lugar muito lindo. Pouco tempo depois que ela comprou o hotel, veio o terremoto! Graças a Deus não atingiu o Hotel, mas afetou a sua fonte de renda, pois o lugar é um polo turístico.
Ao redor da propriedade do hotel, existe uma comunidade muito carente que não tem nem o pão de cada dia muitas vezes. Esta senhora viu o sofrimento do seu povo e então começou a pagar o transporte para as pessoas irem até a cidade mais próxima receber consulta médica e buscar alimentos.
Também está abrigando missionários e pessoas que estão aqui para ajudar e que por conta desta catástrofe precisam de um lugar para descansar.
Durante toda a manhã desta Segunda-Feira, estivemos atendendo a comunidade, dividimos a equipe em algumas áreas específicas segundo a necessidade: um grupo foi jogar futebol com os meninos, outro grupo foi fazer atividades com as crianças e o terceiro grupo montou uma pequena clínica para atender as pessoas.
Nunca receberam nenhuma visita de médicos na comunidade. A Senhora convidou pessoas de toda a região, haviam cerca de 300 pessoas. Ricardo e Renato, ao mesmo tempo que ajudavam na tradução, serviam também na distribuição de medicamentos, Guilherme ajudava também com os medicamentos e organização, Wesley, Cláudia e uma outra moça do Canadá ajudavam com os atendimentos e curativos. Cinthya, Helen e  um missionário haitiano fizeram o trabalho com as crianças, que eram muitas. Eu (Danilo),  Wellington, PR. Emerson e Juliano, fomos para o campo de futebol com os jovens e adolescentes. Era muita gente assistindo, foi maravilhoso, os haitianos amam os brasileiros. PR. Emerson nos conduziu em oração para iniciarmos e passamos um bom tempo jogando. No final, Wellington trouxe uma palavra movida pelo espírito falando sobre a identidade  que o povo precisa ter, de que eles tem o favor e a graça de Deus suficiente para que possam caminhar, o povo haitiano precisa ter esperança. O povo vibrava a cada palavra de encorajamento  foi impressionante aquele momento, no final do discurso alguns haitianos agradeceram dizendo que era esta palavra que eles precisavam. Dava para ver no olhar de cada um a satisfação e alegria de ver brasileiros, povo que eles tanto amam, falando tão bem da nação deles. Ao mesmo tempo, os doentes eram atendidos, recebiam doações de alimento,e as crianças estavam recebendo atenção, e que atenção! E outras pessoas recebiam oração e houve conversão de muitos. Logo após o almoço abençoado que tivemos, voltamos para a capital.
No final da tarde fomos para o posto de polícia, em frente do palácio do governo onde está o posto de atendimento, lá participamos do culto. Começamos cantar com todos os presentes. Foi um tempo de cantar de dançar muito especial! Uma mulher que estava assistindo ao culto e que estava grávida, entrou em trabalho de parto. Ela foi levada para o lugar de atendimento, as meninas da equipe foram para perto e o médico estava conduzindo tudo tranquilamente, a mulher estava acompanhada do seu marido e alguns familiares, ao mesmo tempo o louvor era escutado por todos, logo mais todos dentro daquele espaço oravam e cantavam intensamente. O Wellington foi compartilhar a mensagem com as pessoas que estavam lá fora, compartilhou a mesma mensagem que tinha falado na parte da manhã. O cenário era impressionante, a cada vez que eram afirmados os valores dos haitianos, eles vibravam. As pessoas estavam todas atentas e se dispuseram a viver este novo desafio.
Ao final de cada atividade, o comentário é o mesmo:   Que legal, como foi demais o trabalho hoje!  Graças a Deus, todos os dias temos tido o prazer e a alegria de trabalharmos juntos, pois cada um na equipe desenvolve de forma espontânea e com inteireza de coração tudo aquilo que tem mãos. Estamos participando de um momento realmente Histórico, a JOCUM daqui está com pouco mais de um mês de vida e estamos juntos nesta empreitada, o líder da base, Peterson e sua esposa são pessoas realmente chamadas e convictas daquilo que Deus tem para a capital e outras partes do Haiti. Deus tem abençoado a base aqui com um lugar ao lado do aeroporto cedido pela polícia, mas a idéia já é ter um lugar próprio. Com tudo isto acontecendo, algumas pessoas da nossa equipe vão permanecer mais um tempo por aqui para dar acessoria a próxima equipe que chegara e realizarmos algumas coisas concretas antes de retornar para o Brasil.
É no amor do pai que ficamos por aqui.
Continuem orando e perguntando para Deus como você pode fazer parte deste momento histórico.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Relatório 2 da Segunda Equipe no Haiti, por Wellington Oliveira

Oi gente.

Saudações desde o Haiti.

Acordamos ontem com a estarrecedora notícia sobre o terremoto no Chile, a qual veio junto com a notícia sobre o tremor também no Japão. Estávamos nos preparando para mais um dia de atividades, onde nossa tarefa da manhã seria ir com Peterson (O diretor da JOCUM Haiti), orar sobre um terreno que lhes foi proposto para doação. A Equipe pioneira está aqui desde o terremoto e resolveu se implantar de vez como base na Capital Port Au Prince (PaP). Como costumeiramente fazemos, pulamos todos nas traseiras das pick ups e fomos para nossa aventura matinal. Digo aventura mais pelo ao fato de sermos conduzido através do caótico transito local, sem leis e com regras próprias individuais, tipo: Você decide, ou quem for menos responsável, acelera primeiro e...dê no que der!. Durante o percurso nos perdemos umas quatro vezes entrando e saindo de ruas muito similares, isso porque tínhamos um guia que conhecia o caminho, mas, os sinais que lhe eram familiares antes do terremoto, foram todos alterados.

Ao chegarmos finalmente no lugar, um terreno plano de mais ou menos 30 mil metros quadrados, em meio á poucas casas, e de vizinhança bem pobre, deparamos com algumas pessoas que mediam o terreno e outros que já haviam amontoado seus materiais de construção. Soubemos se tratar de grileiros que estão se tornando comuns por aqui. Esses aproveitadores vendem as terras que não são suas, principalmente aquelas que pertencem a estrangeiros que se ausentaram temporariamente do país devido ao terremoto. Essa atitude, porém, não reflete a atitude dos Haitianos que é notoriamente muito coletiva e amável.

Quando a tensão já nos parecia que terminaria em no mínimo fortes argumentos verbais, várias mães e crianças da comunidade notaram a presença de um dos membros de nossa equipe (Wesley) que se encontrava deitado no assoalho da caminhonete. Ele havia batido as costas na lateral da pickup durante outra viagem e sofria com fortes dores, porém, se esforçou em ir orar conosco naquele que seria o lugar da base de JOCUM PaP. Como se fossem uma só pessoa portadora de muitas vozes e de ações sinérgicas, cada um da comunidade se prontificou a diagnosticar e dar opiniões sobre o estado de saúde dele. Rápidos como um piscar de olhos agiram pronta e voluntariamente, e quando notamos realmente do que se tratava, já estavam na caçamba massageando as costas do Wesley com a única pedra de gelo que tinham (soubemos disso depois).


Tão rápido quanto os haitianos em se prontificar a socorrer o Wesley, foi nossa equipe, e abro parêntesis (que equipe!), rapidamente chamou todas as crianças para uma roda com uma isca infalível para os pequeninos aqui..histórias e brincadeiras, essa linguagem é mesmo universal. Aquelas carinhas sorridentes olhavam atentas enquanto várias brincadeiras criativas e evangelizadoras lhes faziam brilhar os olhos, os quais se quedavam imóveis enquanto assistiam as criatividades inclusivas daquele que talvez tenha sido o único grupo que visitara a sua pequena e quase imperceptível comunidade, para quem apenas passa pela rodovia.


Voltamos de lá com os corações muitíssimo gratos a Deus por nos permitir ter esta oportunidade de mais uma vez aprender como viver contentes em toda e qualquer situação.

Estávamos jubilosos ao retornar ao acampamento montado no campo de futebol de um orfanato, o qual em si, já é uma história a parte.

Pela noite fomos à base da Mission Rescate, uma clinica multifuncional, com atendimento médico, distribuição de alimentos, roupas, entretenimento e cultos ao ar livre. Esta base operacional temporária foi estabelecida pela JOCUM de República Dominicana. Foi lá que nossa primeira equipe ficou acampada e fez sua base operacional. A noite já começou com um imenso desafio, pois chovia muito. Esse foi o primeiro dia que pegamos chuva forte, e eu me lembrava do buraco das latrinas que havíamos passado um dia inteiro tirando a água no qual já havíamos encontrado uma mina d´agua a qual se tornou um problema sério. E agora com a chuva...sem chance!. Vamos ter que ser criativos e estudar outra forma para as latrinas.

Chegamos na Mission Rescate já um pouco molhados pela chuva. Mas o culto começou assim mesmo. Antes que percebêssemos várias crianças já estavam do lado de fora da tenda acompanhando freneticamente a melodia com pulos e danças regado por um sorriso peculiar e característico. Peterson e seus obreiros haitianos lideraram o louvor em Crioulo (a língua de seu coração). Nossa equipe, como sempre muito atenta, entrou na dança, acompanhando as coreografias dos baixinhos e ensinando passos de danças e as vezes apenas movimentos criados na hora, mais foi muito bom.

Encerramos o culto e o dia cantando em crioulo, juntamente com todos ali fora da tenda, literalmente inundados, por fora pela chuva, e por dentro pela presença de Deus.

Foi indescritível. Ali, em frente ao palácio presidencial em escombros, debaixo de uma chuva contínua, abraçados com nossos amigos haitianos, os quais, não apenas tem recebido nosso amor e carinho, mas tem igualmente nos abençoado com sua simpatia e inclusão, saímos todos com a alma lavada. Eles amam os brasileiros.

Amados, essa é nossa hora no tempo do Haiti.

Wellington Oliveira

Em nome da segunda equipe de JOCUM-Brasil no Haiti

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Segunda Equipe no Haiti - Relatorio 1

A segunda equipe da JOCUM brasil chegou em Port au Prince dia 23 de Fevereiro. Nosso voo foi tranquilo do Brasil ao Panama e depois a Santo Domingo na Republica Dominicana. Duas horas depois que chegamos, tomamos uma van que nos levou até Port Au Prince.
Atravessar a fronteira foi um pouco estressante, quando chegamos no posto policial da República Dominicana havia muita confusão, gente vendendo coisas, soldados, carros de ONGs, mas graças a Deus, passamos sem problemas.

Nos encontramos com Peterson, o Líder Haitiano da JOCUM em Port Au Prince no posto policial onde a primeira equipe ficou hospedada em cima da laje.
Fomos então para a Base da JOCUM em Port Au Prince, uma casa grande, mas somente o primeiro andar da casa foi alugado, e não tem espaço para nos alojar. Almoçamos com ele e depois fomos para um orfanato, onde montamos acampamento.
Este orfanato tem um espaço bem grande e o campo de futebol está cheio de barracas. Existem vário grupos de organizações que estão utilizando este orfanato para montarem seus acampamentos. Fica bem perto do aeroporto de Porrt Au Prince. Dá para ver e ouvir os aviões subindo e descendo no aeroporto.

No primeiro dia, logo que chegamos, fomos para um acampamento onde estão alojadas 10.000 pessoas, chamado DELMA 2-Sou Pis, onde foi exibido um filme. Assim que descemos do carro, várias crianças vieram ao nosso encontro. Muitas delas querendo abraços e nor recepcionaram com muito carinho.


No nosso segundo dia, nossa equipe se dividiu em dois grupos, uma parte foi para uma igreja, onde ainda não chegou nenhuma ajuda. A idéia inicial seria ver as necessidades para tentar ajudar de alguma forma. Achávamos que a igreja estava abrigando alguns membros refugiados e que precisavam de auxilio. Quando chegamos lá, não havia muito para ser feito, descobrimos que a igreja tinha vindo abaixo.


Todo o prédio está destruído e 17 pessoas morreram no terremoto inclusive um homem casado com 4 filhos. A esposa dele estava grávida e teve a criança no dia seguinte ao terremoto. Visitamos a viúva e vi a criança que tossia muito. Pudemos orar por ela e seria muito bom se ela pudesse levar a criança para alguma clinica.

Oramos por ela e fomos visitar um outro acampamento, onde o pessoal da JOCUM daqui já esteve fazendo outros trabalhos por lá. Neste acampamento, tinham muitas, muitas crianças. Fizemos um jogo com as crianças e passamos um tempo brincando com elas. Judas, um obreiro haitiano da JOCUM foi quem liderou as atividades com as crianças, ele é muito bom com elas.

Uma das moças do nosso grupo, Helen, ensinou uma música para elas. Traduzimos a música do portugues para o Inglês e o nosso guia traduziu a música do inglês para o criolo e encaixou a letra na música. Depois ensinamos as crianças a cantar a música em criolo. Acho que elas se divertiram mais vendo a gente tentando cantar em criolo do que pela música em si.
Também tinha um grupo de jovens, com um computador, em baixo de uma mangueira, digitando um banco de dados das famílias que estavam naquele acampamento.

A outra equipe foi para um acampamento chamado DELMA 6. O nome dos acampamentos leva o nome da rua onde eles se encontram.
Este acampamento fica do lado de uma casa que foi totalmente destruída no terremoto. O dono da casa morreu no terremoto junto com 8 pessoas. A viúva resolveu então ceder o terreno do lado para montar o acampamento e formou uma liderança com alguns membros da comunidade.
A equipe trabalhou duro no acampamento, montamos uma tenda para ealizar atividades na comunidade e também tivemos que drenar água de um buraco que será usado para fazer latrinas.

Depois de esvaziar o buraco por duas vezes, constataram a água está brotando de dentro dele e continuava a enxer o buraco. Foi um pouco frustrante para nós, mas foi interessante ver a maneria como a comunidade discute e chega a um acordo. Todos se reúnem, discutem, um dá uma oponiao, outra pessoa vem e fala outra coisa, alguns acharam que nós jogamos a água muito perto e por isso ela voltou ao buraco, por isso decidimos esvaziar a segunda vez, mais longe. Mas mesmo assim não funcionou.
Duas pessoas da equipe Wesley e Cláudia, profissionais de saúde, fizeram fazendo atendimento as pessoas que estavam no acampamento. Haviam muitas crianças com doenças de pele e alguns curativo para serem feitos.

Ao final do dia, jantamos e fomos participar de um culto, que foi feito numa tenda em frente a posto policial, no centro da cidade. Vieram pessoas de países diferentes e foi muito bom estar ali, adorando a Deus junto com os Haitianos ! Jude, um obreiro da JOCUM foi quem liderou o louvor, ele é muito bom.

No terceiro dia, ontem, voltamos ao acampamento Delma 6 para realizar algumas atividades com as crianças. Montamos uma segunda tenda, para poder desenvolver as atividades.
Também iríamos começar a fazer um trabalho de cadastramento das pessoas da comunidade, mas infelizmente, eles pediram para que fizéssemos em outro dia, porque precisariam combinar com antecedência, para que todos possam estar juntos.
Montamos uma segunda tenda, passamos o dia jogando futebol e brincando com as crianças. Algumas pessoas do nosso grupo fizeram trancinhas no cabelo, como eles, e as crianças adotaram as meninas da equipe como suas “mães”. As crianças são muito carentes de carinho.

A Cíntia e a Helen contaram histórias da Bíblia para as crianças e notamos que é um terreno virgem para o evangelho no coração dessas crianças. Todas as crianças puderam orar a Jesus.
Mas é preciso um trabalho de longo prazo para que a semente lançada possa gera frutos que permaneçam.
O dia foi muito proveitoso, principalmente porque pudemos passar um bom tempo com eles, jogando futebol, brincando com as criannças.

A nossa primeira impressão do povo haitiano, é que eles são um povo que está numa situação muito difícil, sem esperança, sem trabalho, mas mesmo assim, o povo é muito alegre, estão sempre sorrindo e principalmente, tem um carinho ENORME por nós brasileiros.

Quando andamos de carro pela cidade, na traseira da caminhonete, parecemos celebridades, todos nós usando camisetas Verde Amarelas e todos acenam para nós, gritando BRASIL, RONALDO, ROMARIO !!!
Ontem vimos o avião presidencial decolando do aeroporto. Mas infelizmente não deu para ver o Lula.
Sempre que encontramos soldados brasileiros nos caminhões da ONU, eles nos comprimentam com muita alegria. É muito boa a sensação de encontrar uma pessoa do seu país, usando a nossa bandeira.
Ontem a noite, paramos num mercado para comprar coca-cola e encontramos com um soldado brasileiro. Alguns de nós fomos para tirar foto com ele e o Wesley perguntou como ele estava e o soldado disse que estava sentindo muita falta de casa, das baladas...então o Wesley disse:”cara, você precisa voltar para Jesus”. “É verdade, o soldado disse, estou desviado, e preciso voltar para Deus”. Logo depois, os superiores do soldado chegaram e ficaram felizes de saber que estávamos aqui. Eles nos convidaram para ir até a base brasileira, visitá-los.
Eu, Ricardo, estava esperando do lado de fora do mercado, quando os militares passaram por mim, o capitão gritou :”passa lá!”
Acredito que esta participação da JOCUM Brasil neste exato momento aqui em Port Au Prince, trará muitos frutos para o futuro. O Haitianos AMAM os brasileiros, nós temos uma porta escancarada para vir e ajudar este povo. Este momento único está se abrindo para nós e precisamos juntos, como missão e igreja do Brasil aproveitar este momento para pegar esta onda que Deus está mandando para cá.
Preparem-se para vir, é a nossa vez !

domingo, 21 de fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Pós Haiti - Marcelo e Fernanda

Comunicar através de palavras tudo aquilo que vimos, ouvimos e sentimos durante nosso tempo no Haiti é um grande desafio.

Vimos pessoas famintas, desabrigadas, mutiladas física e emocionalmente, vimos muitas crianças nos orfanatos, nas ruas e que tinha sido terrivelmente abusadas. Pessoas vivendo em céu aberto, no meio de ratos e esgoto, tomando banho na calçada e fazendo suas necessidades no meio de muitos.

Vimos pessoas chorarem de dor com feridas que pareciam nao ter mais jeito, pessoas com dedos, pernas necrosadas.

Ouvimos histórias tristes das mais variadas possíveis. Fazemos nossas as palavras do Peter: “Eu não gostaria de ver a destruição que vi nunca mais!”

Mas em meio a tamanho sofrimento algo nos impactou de forma tremenda: um povo alegre, hospitaleiro, um povo forte. Pudemos ver esperança de um futuro melhor, a esperança de um povo que sonha em ver seu país transformado. Cremos em um DEUS compassivo, amoroso que restaura e eleva a príncipe, mesmo o mais miserável dos homens. Cremos sim que esse é um novo tempo pra o povo Haitiano.

Sentimos-nos impotentes diante de tanta necessidade a ser suprida. Apesar de ter sido pouco, o nosso tempo no Haiti, tudo isso nos levou a questionar tantos valores que antes tínhamos por absoluto, questionar a nós mesmos e o nosso papel como servos do Senhor. Será que já demos a nossa contribuição? A verdade é que muito ainda precisa ser feito. Voltamos pra casa, mas oramos a DEUS pelos nossos irmãos que ainda estão no Haiti, pra que DEUS os fortaleça em seus trabalhos, oramos pelas equipes que ainda irão e por mais trabalhadores: "A SEARA É GRANDE."

Sentimos tão felizes por saber notícias do que DEUS tem feito com a equipe que ainda esta no Haiti: Olha Peter, a música de frente ao palácio do governo mudou! Resposta de oração ne?

Eduardo, o nosso DEUS é mesmo incrível! Essa noite o SENHOR incomodou o Marcelo a orar e a palavra que o SENHOR compartilhou foi exatamente Isaías:60.

Isso pode até parecer o fim de uma viagem, mas com certeza é o começo de um novo tempo!

Mais alguns fotos do dia 12 de fevereiro, dia de oração em Haiti



Mais do que 100.000 pessoas orando e louvando a Deus, na frente do palacio.




Jesus ama Haiti! A faixa que a nossa equipe fez e colocou no posto da policia.




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Momento histórico!


Queridos,


Hoje de manhã acordamos com um tremendo teste de som de um grande palco na frente do palácio do governo. Tocando só música evangélica!

Por volta de 7:00 hs da manhã as pessoas começaram a chegar.

Agora são 9:30 hs de manhã e deve ter em torno de 100.000 pessoas aqui na frente. Pregadores estão declarando que Haiti pertence a Jesus, e que o Senhor é grande. O povo não para de clamar aleluia! Há uma grande esperança no ar que se terá um novo Haiti, onde o Senhor Jesus será livremente adorado, um Haiti dedicado à Ele.



Ontem Eduardo recebeu uma palavra em Isaias 60, onde o último versículo fala que o menor virá a ser mil, e o mínimo será uma grande nação, e que o Senhor fará isso prontamente.

Ficamos no meio do povo orando e profetizando esta palavra.

Pelo que entendemos, foi o presidente que pediu o povo ter três dias de oração em favor do Haiti.

Nós sentimos que estamos fazendo parte de um momento histórico!

Grande abraço do Haiti, da frente do palácio que foi destruído, mas Deus está levantando um novo Haiti!

Johan, Michelle e Eduardo.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Saudações do Haiti (do Johan)

Hoje já fazem duas semanas que chegamos no Haiti.

Posso perceber que no meio de toda esta tragédia existe um sentimento de esperança para um novo Haiti baseado em valores firmes e não em corrupção e feitiçaria.

Ainda há muito trabalho pela frente. O trabalho para tirar os entulhos vai ser gigantesco especialmente para as pessoas que não podem pagar escavadeiras, que afinal são escassas demais, e estão sendo usadas principalmente para prédios do governo em volta do palácio. Mas no palácio mesmo,o trabalho nem começou ainda.

O que restou da nossa equipe, Eduardo, Michelle e eu, Johan, continuamos a passar as noites em cima da laje, do posto policial principal bem na frente do palácio, juntamente com outros cinqüenta voluntários.

As noites tem sido tranqüilas, e já fazem três noites em que as pessoas que cantavam de madrugada não passaram por aqui.

Em geral se percebe uma grande recepção da parte dos Haitianos, e eles amam o Brasil. Quando estou com camisa do Brasil é sucesso garantido, todos gostam do futebol brasileiro.

Eu ainda gostaria de comentar sobre algumas coisas que tem me impactado:

Republica Dominicana
Desde o primeiro momento em que entramos na República Dominicana, para proceder para o Haiti por terra, notei uma atitude surpreendente nos Dominicanos. O que eu tinha esperado era uma atitude de querer tirar proveito da situação, obrigando as pessoas que tinham que passar na República Dominicana, a pagar taxas extras. Tinha esperado grandes filas na alfândega, para passar as malas de doações.

Porém nada disso, não precisamos pagar o visto que normalmente custa US$10, nem sequer abrir as malas e mostrar as doações. Mostraram tamanha boa vontade em favor dos seus vinzinhos Haitianos, que quero aplaudir e recomendar esta atitude. Não vi isso mencionado em publicação nenhuma.

Também as igrejas da Republica Dominicana, através de uma cooperação sem igual entre igrejas e ONG's, tem mandado muitas equipes e mantimentos para o Haiti.

Hoje visitei uma caravana de caminhões da Republica Dominicana, todos construídos e modificados, para cada um terem uma cozinha industrial completa. Através destas cozinhas estão alimentando milhares de pessoas em vários pontos da cidade.


Vi também como os corações dos Dominicanos tem sido misericordioso para com os Haitianos. E que as igrejas tem demonstrado uma unidade na República Dominicana como nunca antes.

Antes os Dominicanos tinham até medo dos Haitianos, agora está fluindo um amor e uma aceitação. Eles estão reconhecendo que moram na mesma ilha e devem agir como irmãos e não como inimigos ou concorrentes.

Visitei também um bairro onde só num quarteirão tem 2500 pessoas morando em tendas. Là encontrei uma ONG Dominicana fazendo trabalho de ajuda. Porem eles necessitam de mais barracas, comida, material de higiene, ajuda médica especialmente para tratar de pequenas infecções.

Vou parar por aqui. Vou me juntar ao culto de louvor que começou agora atrás de mim, com Haitianos, Dominicanos e voluntários de vários países que vieram para ajudar.

Um grande abraço,

Johan Lukasse

domingo, 7 de fevereiro de 2010

AYITI JEZI REMEN'W



Ja estamos em Santo Domingo e amanha embarcamos para o Brasil. Para nos foi uma um tempo fantastico de conhecer a Deus e revelar seu Amor. Apesar de serem poucos dias, nosso tempo em solo haitiano consolidou ainda mais nossa fe e nos desafiou para abracarmos com afinco aquilo que e' o nosso chamado e vocacao: Amar como Ele nos amou! Fomos muitissimos abencoados por todo o povo haitiano e pelos voluntarios de todas as partes do mundo que se empenharam conosco no mesmo proposito. Quero aqui testemunhar da alegria em compor essa equipe des 10 brasileiros, marcada pela simplicidade, pela disposicao, pela garra, pelo Amor.


Seguem agora nossas oracoes e ouvidos atentos `a voz dAquele que nos chamou. Se a terra foi arada, e' hora de semear! Que por traz do medo possa ressurgir uma geracao de haitianos livres, crentes na Graca de Deus e no Sacrificio de Jesus, que os transportou do imperio das trevas para o Reino do Filho do Seu Amor! Nenhum sacrificio realizado CONTRA esse povo pode ser maior que o Sacrificio que Deus fez a seu FAVOR entregando seu unico Filho para que TODOS (todos os haitianos) os que cressem fossem livres, salvos.



Que o Senhor nos conduza aos proximos passos!

Profetizamos:
"Porque o Senhor consolara a Siao (Haiti), consolara a todos os seus lugares assolados, e fara o seu deserto como o Edem, e a sua solidao como o jardim do Senhor, gozo e alegria se achara nela, acoes de gracas e voz de melodia" Isaias 51:3

Igor e Jak

Parte da equipe ja esta viajando de volta p/ Brasil

Peter escreve:
Estou de volta na República Dominicana - deixei o Haiti hoje sob escolta policial armada!

Temos sido muito abençoados e honrados durante este tempo - nós fizemos faxina na clinica, em banheiros e cozinhas, jogamos futebol nas ruas entre a tristeza, a sujeira e a devastação.

Participamos em reuniões no complexo da ONU, onde as decisões são tomadas para o bem-estar das crianças abandonadas.

Visitamos orfanatos, buscamos varias barracas que haviam sobrado no aeroporto debaixo dos narizes dos militares.

Pude segurar dois gêmeos nos meus braços sentindo tanta felicidade na maneira como Deus salva vidas, só para descobrir que estes dois bebes costumavam ser três, eram trigêmeos, mas o terceiro morreu junto com o seu pai debaixo dos escombros do terremoto.

Eu assisti como uma menininha teve a sua perna amputada e então descobrimos que ela havia sido severamente abusada sexualmente, eu não gostaria de ver a destruição que vi nunca mais.

Eu testemunhei como dois bebes voltaram a vida, carreguei baldes e baldes de água para cima das escadas da delegacia da policia que estava parcialmente destruída, para que eu pudesse limpar os banheiros que centenas de voluntários médicos e policiais estavam usando.

Eu vi ratos, dejetos humanos e um corpo morto sendo retirados dos escombros. Dormi no telhado de um edifício cujos vizinhos foram todos destruídos, incluindo o palácio do governo a nossa frente.

Observei como a ONU dá os sacos de arroz, vi que ate as mulheres tomam banhos de balde nas calçadas, vi crianças pedindo comida, espaços abertos sendo transformados em acampamentos.

Andei em carros da policia e em cima de caminhões e senti o cheiro de morte entre os mais pobres dos os pobres. . .

Eu vi pessoas com esperança, em meio ao desespero, pessoas com amor nos lugares mais horríveis e sinais de um novo começo em um lugar onde parece que o mundo chegou ao fim.

Eu ainda acredito em um Deus misericordioso, compassivo. Creio que Ele se importa, eu vi Suas mãos no trabalho através de médicos e enfermeiras, eu ouvi Suas palavras ditas por amigos e desconhecidos. Eu senti a Sua presença, quando tudo parecia perdido e senti um pouco do que Ele deve sentir a cada dia quando Ele olha para baixo para o mundo que Ele fez - Ele nos ama e por isso Ele nos mostra Sua misericórdia e nos pede para nos juntarmos a Ele no amor ao próximo. . .

Peter

P.s.: Parte da nossa equipe ainda esta em Porto Príncipe. O Johan, a Michele e o Eduardo continuarão com o trabalho por mais uma semana. Eles ainda precisam muito das orações de vocês!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Duas histórias do Peter:

O capitão da policia estava animado . . . Ele contou:

"Entrou um homem com seu filho nos braços, que estava muito mal. O homem clamou por um medico, mas era o primeiro dia após o terremoto, então eu precisava correr para achar um medico"

Eu estava escutando com interesse.

Ele continuou

"quando voltei com o medico, o menino já estava morto, ainda nos braços do pai. O pai, desesperado gritou para Deus, olhando para cima:

“Ele não é mais meu filho, agora ele pertence a você Deus, faca com ele o que você quiser'"

“Dois (2) minutos depois o menino se levantou, vivo!”

O capitão me disse que "agora eu creio em Jesus!"

"O medico fez um exame completo e declarou que não tinha nenhum problema de saúde...saíram andando juntos!"

Ele continuou. . .

"Peter, sou arquiteto da policia, sei como os prédios são construídos - este prédio da policia tem a mesma estrutura que o palácio - mas olha, o palácio caiu. O posto da policia não!"

Eu respondi:

"eu sei por que o palácio caiu!"

Ele, entendendo a minha resposta disse:

"Sim! Caiu porque o governo não é de Deus, e o prédio do lado da gente caiu porque representa a corrupção do Haiti" (É o centro administrativo de documentação de taxas e impostos, registros de veículos e imóveis etc.)

"Sim!”, concordei.

Mais ele continuou:

"Peter, o povo Haitiano tem clamado por um terremoto ou algo assim - o povo quer um novo começo, querem começar de novo!"

Barracas

Num outro dia, quinta-feira, fui com Johan visitar um orfanato "Coração por Haiti" Eles precisavam pegar uma doação no aeroporto - pegamos carona com eles para ajudar e para que Johan pudesse conversar com Robert, o administrador do orfanato.

Chegamos no aeroporto, dirigindo de baixo e atrás de aviões em busca dessa doação. Eventualmente achamos o exercito da Bélgica, pois a doação veio num avião deles - o orfanato não sabia o conteúdo da doação. Descobrimos 107 barracas enormes! Com ajuda de um caminhão, colocamos 40+ no caminhão e levamos de volta para o orfanato onde a escola que ensina +que 500 crianças caiu de vez durante o terremoto - matando quantas? NENHUMA!

Nós decidimos ajudá-los a pegar o resto das barracas - mas eles não tinham como ir conosco de volta para o aeroporto. Mencionamos que o JOCUM poderia usar um ou dois para a clinica e o povo perto do palácio . . . eles disseram que podemos voltar e pagar o que a gente queria! Então fomos!

Entramos no 'compound' dos exércitos, passamos os 'checkpoints' e colocamos mais que 60 (!) barracas em cima do caminhão - Johan pode ser velho, mas não é mole viu! (brincadeira Johan!)

Saímos, pagamos o motorista $50 e voltamos para a nossa clinica - ai tiramos as barracas. A equipe esta bolando um plano para utilizá-las para abençoar este povo Haitiano tão lindo e sofrido . . .

Na noite anterior a 'Omy' líder da operação aqui tinha me contado que estava esperando que Deus ia mandar uma barraca grande . . . . nada disso! Deus mandou 60 barracas de 4x4 metros!

Amo este nosso Pai!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Da Lika (Merlyn):


Hoje foi um dia cheio de emoções para todos nos. O acontecimento que mais mexeu com todos nos foi de uma menina de uns 5 anos que veio fazer um curativo na perna. Sua perna foi amputada ate metade da coxa e ela também perdeu o pai no terremoto. O Marcelo fez o curativo e quando a Fernanda foi colocar uma fralda nova na menina percebeu que o anus dela estava muito dilatado e que também não tinha mais himem... ou seja descobrimos que ela tinha sido abusada, provavelmente varias vezes. Tivemos que contar para a mãe que chorou muito, mas nos falou que ela tinha se convertido depois do terremoto. Ao orar por ela todos choramos junto com a mãe.


Estou muito triste com tanto sofrimento que este povo esta passando, mas o que mais tem me impactado neste tempo e ver a atitude dos Haitianos diante do seu sofrimento! Ao contrario do que ouvimos nas noticias, o povo não tem agido com violência. São um povo amável e dócil e ao sorrirmos pra eles, eles sorriem de volta com sinceridade e se mostram muito agradecidos pela ajuda que estão recebendo. Toda noite passam horas e horas cantando em suas precárias barracas...temos muito que aprender deles!


Esta sendo uma experiência muito rica em minha vida, ontem ajudei fazer um parto! Nasceu um pequeno menino a uma mãe de 15 anos assustada que não sabia o que fazer com aquela criança. Fernanda e eu demos o primeiro banho na criança!

Nova vida

Fernanda ensinando a dar mama

primeiro banho

Cirurgias: Marcelo e Fernanda em ação.





ai

Mario jr. em ação!

Nosso quarto! Estamos dormindo na laje do posto de policia com mais ou menos 50 pessoas!
Boa noite!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Porto Principe/Sao Marcos

Hoje 4 membros de nossa equipe retornaram a S. Marcos para buscar o resto de nossa bagagem e descansar um pouco, pois alguns tem estado doentes esses ultimos dias - por favor, orem por nossa saude e bem-estar fisico e emocional, para contiruarmos o trabalho ali e abencoar o maximo de pessoas possivel.  Marcelo, Fer, Lika, Mario, Johan e Peter ficaram para continuar o trabalho ali.  Os outros planejamos retornar amanha ou sexta-feira, se Deus quiser.

Hoje fomos ao quartel general da ONU, pois Johan e Peter estao tentando participar duma reuniao de planejamento especificamente sobre a situacao das criancas no Haiti.  A reuniao deve acontecer amanha.  Por favor, orem para direcao de Deus e misericordia sobre a vida de tantas criancas em risco neste pais.  Que haja uma direcao clara, com propositos e planos de acao bem definidos, e que cada um faca sua parte para ajudar a essas criancas.

Ontem a noite a multidao dancando e cantando ao redor do Palacio decidiu fazer sua passeata as 3 da manha.  Como eles ainda tem energia e alegria vivendo nessas condicoes?  Eles cantavam:  Jesus no alto; satanas pra baixo. 

Os que voltamos ja estamos nos sentindo bem melhor apos um banho bem tomado e um tempo de descanso.  Os chuveiros aqui funcionam assim:  para a agua sair, voce tem que puxar uma cordinha e segurar bem forte.  Quando voce solta a cordinha, a agua para de sair.  E' uma otima ideia para economizar agua - impossivel deixar ligado quando nao esta usando.  Estamos muito gratos por esse tempo, quando tambem pretendemos ajudar aos que estao refugiados em S. Marcos.  Aqui estamos fazendo registro de refugiados para que eles possam receber ajuda e facilitar para encontrar pessoas perdidas, reunir familias, etc. Tambem estamos construindo uma clinica para atender aos pacientes que no momento estao sendo atendidos aqui, num hospital improvisado na quadra de esportes. 

Estamos muito gratos e contamos com as oracoes de voces!  Obrigada por estarem participando conosco deste tempo aqui atraves de suas oracoes e encorajamento.  Continuem a orar pelo Haiti e tambem por nos.

Equipe Jocum Brasil-Haiti

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Alguns retratos feitos pela equipe em Haiti

 a equipe completa.


Vista do "quarto" (laje do posto da policia)


Em todo lugar tem crianças.
Alguns números oficiais:


Antes do terremoto, em 2007 já tinha 380.000 órfãos em Haiti (fonte :UNICEF)

Agora as estimativas são que o numero no mínimo dobrou: 760.000 órfãos

Antes do terremoto também já tinha 300.000 crianças “Restavec”. Crianças que foram doadas ou vendidas pelos pais pobres, muitas vezes do interior, para famílias mais ricas em Porto Príncipe, as quais usam estas crianças como quiserem: empregada domestica, escrava de sexo, etc. Há restavecs de 5 ou 6 anos de a idade...



Mais do que um milhão de crianças órfãs ou restavecs.



Eduardo com algumas crianças




O povo ama quando, no fim da tarde, a equipe joga bola!